segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vem aí um novo romance erótico português escrito sob anonimato. A entrevista às escuras
Assina S.D.Gold. É uma mulher portuguesa. "Igual a tantas outras, que abraça com paixão e com brio os papéis que a vida lhe oferece: de mãe, de mulher, de profissional bem-sucedida", define-se assim a autora do livro erótico "Hoje é Melhor do que para Sempre", que optou por não revelar a verdadeira identidade.
Nem ao Dinheiro Vivo. Em entrevista por escrito, a autora do livro erótico editado pela Ideia-Fixa (grupo Alêtheia) assume-se como uma "pessoa feliz", que adora escrever e é "fã incondicional de histórias de amor." Daí a escolha do pseudónimo S.D.Gold, juntando-se a um vasto role de escritoras que apostaram com sucesso no género. Melhor exemplo é "As Sombras de Grey", que vendeu milhões de exemplares em todo o mundo.
A autora escreve nas horas vagas. E na casa dos 30 anos sentiu que devia "fazer jus à ambição de usar as palavras para transportar as pessoas numa viagem feliz, emotiva e envolvente, pelo universo dos sentidos".

"Hoje é melhor do que para sempre" estará à venda nas lojas a partir de dia 9 de maio (15,90 euros).

S.D.Gold não assume a identidade porque não pode. Diz que o anonimato é, por isso, uma necessidade, não uma opção." É definitivo? "Certamente que não, porque nada é", responde.
Como posso ter a certeza que a autora existe de carne e osso e o anonimato não é mais do que uma estratégia de marketing da editora?
Na realidade, não pode. Posso garantir-lhe que existo, que este é o primeiro livro que publico e que sou uma mulher portuguesa. Mas na realidade, não tenho como lhe provar. Terá de confiar. Mas pense assim, porque é que lhe mentiria?
Mas pode revelar algumas pistas?
Já que tomei a opção de não aparecer, acho mais giro deixar os leitores imaginarem...
Mas porquê o anonimato?
Porque trabalho num meio rígido, que até pode parecer animado e descontraído mas, na sua essência, é cinzento. É um universo em que escrever um romance erótico é algo tão colorido que pode ofuscar.
A nossa sociedade ainda tem muitas "cabeças quadradas". E eu podia tentar ser disruptiva e assumir o meu outro lado. Podia! Mas não acho que saber quem é o autor seja essencial. Nem acho que deva ter de escolher entre os dois mundos, pelo risco de que um invada o território do outro. Para quê ter de fazer só uma coisa, se posso fazer as duas?
Um romance erótico, nos dias de correm, ainda pode prejudicar a imagem de alguém?
Não prejudica a minha imagem, na medida é que não é algo de que me envergonhe. Pelo contrário! Gosto muito do meu livro! De resto, jamais o publicaria se não fosse algo de que me orgulhasse. Se me perguntar se eu acho que ser autora de um romance erótico é incompatível com a minha profissão, eu digo-lhe que sim. Acho mesmo que é.
Mas qual o receio? Da sociedade, dos media, dos filhos, dos amigos dos filhos, da mãe, do pai, do marido...?

A família, o marido e os amigos mais próximos sabem da existência do livro. E todos apoiam incondicionalmente! Julgo que isto não alterou em nada a perceção que têm de mim, e todos partilham da minha alegria em poder dar a conhecer este meu lado.

Não tenho receio. Apenas não quero que o facto de escrever este tipo de literatura condicione a perceção que as pessoas têm de mim, enquanto profissional. Infelizmente, tenho a certeza que, em alguns casos, o preconceito falaria mais alto.

Erotismo não é pornografia, ou haverá passagens mais "pesadas" no livro?
Não sei o que são passagens "pesadas". Terá de ler o livro e dizer-me o que acha. O meu objetivo, enquanto escritora, é o de transportar os leitores numa viagem. Quero que sintam, que vibrem, que experienciem as sensações de que falo, que vivam a história como se estivessem lá. Quero que todos experimentem apenas através do ato de ler. Se conseguir que as pessoas sintam essa "empatia" e essa proximidade, a minha missão foi cumprida. Este não é um livro pesado nem obsceno. Mas é um livro real.

E como é possível promover um livro sob anonimato?
Estamos a descobrir a cada passo. Esperamos ter um bom case study para contar.

E como define o livro?
Este livro é fruto de um processo muito apaixonado de autodescoberta e depois de partilha. Devo-o a tantos autores que li, que me fizeram viajar com as suas palavras. Espero conseguir fazer o mesmo.

Que género de autodescoberta e partilha? De que modo isto é visível no livro?
Escrever não é uma novidade para mim. Mas o processo de escrever um livro é distinto. E a forma como este livro "aconteceu" acabou por ser uma descoberta. Quando comecei a pensar nestes protagonistas, não imaginava como seriam, que experiências viveriam, o que iriam fazer e de que forma se iriam relacionar. Entre eles e com os outros. Acompanhei-os, apaixonei-me por eles e fui descobrindo com eles que traços de personalidade teriam, que ambições e vontades sentiriam e que fim lhes daria. Desenhei-lhes uma vida, colori-a e agora vou partilhá-los, com carinho, com quem quiser saber mais sobre eles.

A que autores se refere quando diz que a fizeram viajar?
Gosto muito de ler e leio todo os géneros. Confesso que tenho uma predileção especial por romances. Adoro ler o amor nos livros. Tenho vários autores de referência, não necessariamente do estilo literário do meu livro. Um dos meus ídolos de sempre é Gabriel García Marquéz. Gosto tanto dele que dei ao "Memória das minhas putas tristes" - um dos que mais gosto - uma figuração no meu livro.

Que lugares e pessoas visitou?
Conheço todas as cidades que refiro no livro. As ruas de que falo, os cafés, os cenários que descrevo são, na sua grande maioria, reais. Não os visitei para escrever este livro, mas recordei-os ao pormenor para esse efeito.

Como está estruturado o livro?
Este romance é protagonizado por dois jovens adultos, um homem e uma mulher, que têm encontros e desencontros. A história segue as vidas e as relações deles, as experiências que vão tendo, de forma sequencial.

Quais as expectativas de aceitação do público?
Há muitas particularidades em todo este processo. Ser um autor anónimo é, naturalmente, uma delas. Mas sei que está a ser feito um excelente trabalho de comunicação, promoção e divulgação do livro, com a melhor das equipas. Não tenho dúvidas! Se dependesse só disso, este livro seria um sucesso.
Sem grandes expectativas, o que posso dizer é que o mais importante para mim é que as pessoas gostem do livro, e que a experiência de o ler seja uma coisa boa nas suas vidas.

Autora que assina S.D.Gold diz em entrevista escrita ao Dinheiro Vivo que "este não é um livro pesado nem obsceno. Mas é um livro real"

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