sexta-feira, 31 de maio de 2013


 Muito antes de Elvis Presley e dos Beatles sonharem com os primeiros acordes, ele provocava histeria em multidões de adolescentes enlouquecidas que dormiam na porta do teatro para ver, rever e desmaiar diante do ídolo. Fenômeno da nascente cultura de massa nos anos 1930 e 1940, Frank Sinatra sabia como rechear de paixão as baladas que cantava, enquanto seus assessores de imprensa produziam o clima na plateia. Mas ele era muito mais que isso: músico de ouvido requintado, estudava minuciosamente as letras, aprimorava a dicção e a musicalidade de modo a transmitir todo o sentido das canções; perfeccionista, nenhum detalhe de uma gravação lhe escapava. Foi assim que se transformou em A Voz, o melhor intérprete da grande canção americana, e conquistou públicos ao redor do mundo. Neste livro, que acompanha os primeiros quarenta anos da vida de Sinatra, James Kaplan narra em cinco atos dramáticos a ascensão, a queda e o renascimento de uma figura contraditória, com qualidades e muitos defeitos - os próprios amigos o chamavam pelas costas de “Monstro” -, mas de inegável (e impressionante) talento musical, que deu forma definitiva ao cancioneiro norte-americano. Uma vida vivida quase sempre por um triz desde o primeiro dia - tido como morto pelo médico, que fez o parto a fórceps, ele foi largado numa pia ao nascer - e desde cedo voltada para a música. Na busca por decifrar a complexidade de Sinatra e desfazer as muitas lendas que se criaram ao seu redor - algumas promovidas pelo próprio -, Kaplan fez uma revisão minuciosa da vasta bibliografia sobre o cantor e realizou novas e reveladoras entrevistas. Com mão de romancista, o autor utiliza de forma ousada técnicas da ficção para penetrar na alma e na mente de seu biografado e recriar sua personalidade. O resultado é uma narrativa pontuada pela emoção genuína e pelo drama real de um homem que cresceu ao lado da máfia, não mediu esforços para construir sua carreira, cobiçou e foi cobiçado por muitas mulheres, viveu uma tempestuosa história de amor com o furacão Ava Gardner, teve sua morte artística anunciada e renasceu para a glória no cinema e na música. “Kaplan sabe contar uma história. Sua paixão por Sinatra mantém a fluidez da narrativa; ele está igualmente fascinado pelo lado sórdido e pelo lado artístico de seu biografado, e evoca muito bem a atmosfera do período.” - James Gavin, New York Times Book Review

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