quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Capa do livro Lealdade a si próprio

Os dois conflitos mundiais que abalaram o século XX estão na ordem do dia, em virtude do centenário do início da Primeira Grande Guerra e do septuagésimo aniversário do Desembarque da Normandia (o Dia D), em 6 de junho de 1944 – evento considerado o momento de virada da Segunda Grande Guerra em favor das Forças Aliadas. Visando a um só tempo evocar o aniversário do Dia D e antecipar as comemorações dos setenta anos do fim da Segunda Guerra Mundial, no próximo ano, Paulo Valente lança agora o romance histórico Lealdade a si próprio.
Entremeando astuciosamente ficção e fatos históricos ¾ em particular o torpedeamento de navios mercantes brasileiros pelos submarinos alemães e italianos ¾, Paulo Valente constrói uma narrativa envolvente em torno do dilema dos filhos dos imigrantes dos países integrantes do Eixo radicados no Brasil. Isso porque, quer fossem eles nascidos em nosso país ou trazidos ainda crianças por suas famílias, se confrontaram com um difícil dilema: apoiar o país de origem de seus antepassados ou optar pelo Brasil, que tão bem lhes acolhera, oferecendo-lhes uma nova e segura perspectiva de vida? Uma escolha crucial, definitiva e, em muitos casos, mortal.


Como ser leal a si próprio sem ser desleal em relação aos outros? Esse é o impasse fundamental dos personagens do livro de Paulo Valente. Isso porque ao manter fidelidade à terra dos seus ancestrais, os brasileiros de origem alemã, italiana e japonesa, estariam automaticamente traindo a própria terra natal (no caso dos aqui nascidos) ou a nova terra escolhida (no caso dos emigrados). Ao passo que aqueles que apoiaram o Brasil, em particular aqueles que ingressaram no Exército brasileiro e tomaram parte ativa no conflito, tiveram em muitos casos que lutar contra seus compatriotas, ou em certos casos, contra conterrâneos ou até mesmo parentes.
Lealdade a si próprio aborda também o dilema vivido pelo próprio governo brasileiro no início da década de 1940: manter-se absolutamente neutro até o fim do conflito (como foi a posição oficial inicial), ou optar pelas forças do Eixo (como tudo parecia indicar) ou, ao contrário, pelos Aliados (como acabou ocorrendo)? E, chegando até os dias de hoje, o livro focaliza desdobramentos da Segunda Guerra Mundial que continuam a ocorrer em virtude de feridas ainda abertas e questões mal resolvidas que perpetuam inimizades antigas.

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